sábado, 24 de outubro de 2009

Flor da solidão ou Lavoura

Coisas para fazer,
Destino a se escolher.
Na dor do que deveria ser imaginação,
Semeado e florescido em ilusão.

Sem sinais, nem questões.
Sem verdades e induções.
Não é poesia, nem melodia.

Sei que o destino da dor é sempre a despedida.

Parado, olhando o que já foi alegria.
Pensando, lembrando do calor que hoje é agonia.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Há Cores.

Cai a noite sobre as montanhas da Geórgia;
À minha frente ruge o Aragva.
Estou em paz e triste;
há um lampejo em meus suspiros,
Meus suspiros são todos teus,
Teus, e de mais ninguém... Minha melancolia
Está insensível a angústias e apreensões;

E meu coração arde e ama mais uma vez,
Pois nada pode fazer além de amar.
Todo instante que passávamos juntos
Era uma celebração, uma Epifania,
No mundo inteiro, nós os dois sozinhos.

Eras mais audaciosa, mais leve que a asa de um pássaro,
Estonteante como uma vertigem, corrias escada abaixo
Dois degraus por vez, e me conduzias

Por entre lilases úmidos, até teu domínio
No outro lado, para além do espelho.

Enquanto isso o destino seguia nossos passos
Como um louco de navalha na mão.

[ Arseni Tarkovski ]

domingo, 7 de junho de 2009

Flugufrelsarinn

Os dias são longos...
Minuto a minuto mais longos.
A cada batimento sinto tudo mais lento.
As cores se tornam suaves e belissimamente aceitáveis;

Contraponto a isso,
Subo as mais angustiantes correntezas
Para tentar salvar todo amor que ainda me sobra.
Fica cada vez mais difícil quando sinto, apavorado,
Toda a guerra que há em toda parte;
Junto forças destinadas a remar contra a violenta e acinzentada cor de desamor.

Ao pensar ter perdido a batalha, já teria desistido há muito tempo.
Estava sendo controlado, pela luz colorida mais tênue e agradável;
Que escolhe seu salvador pelo reflexo que há em seus olhos.
Amado pela liberdade; Salvador de si mesmo.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Des-desinteressável

Tipo "avesso-do-avesso", mas sem se tornar paradoxo.
Antônimo incoerente de café, dinheiro...


e amigos.

sábado, 16 de maio de 2009

Autocrítica II - Classificar

Por causa das várias formas que nós nos encontramos, podemos ter diversos dos prazeres de conhecer.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Ana Gabriel; do inigualável?


Dentro do chapéu pode ter uma velha máquina fotográfica que traduz um coração de sentimentos.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Destrinchada imaginação apaixonada

.





se você vai sair
eu chovo
sobre o seu cabelo pelo seu itinerário
sou eu o seu paradeiro
em uns versos que eu escrevo




depois rasgo



domingo, 5 de abril de 2009

Incoerência com glicose e amido de milho


Esperando o momento onde a lâmina vai de encontro a pele.
Olho no olho, ansiedade, veneno, sarcasmo, tudo: olho no olho.
Ecstasiando o momento em que sei que a lâmina vai de encontro a pele.
Tic-tac, tic-tac.

Não quero mais as covinhas, não quero mais os falsos crimes e as inúteis regras.
Não espere que eu dance sem minhas sapatilhas de Bolshoi.
Não espere ser protagonista nos meus filmes de travesseiro.

Entenda que tenho doença, diagnóstico e cura.
Espere o caos e o sossêgo. Espere o sim, o não e o silêncio.
Não substitua suas confusões pelas sinopses dos best-sellers da filosofia;
Nem me confunda com poesia.

Variável da maturidade


Existem crianças jovens e velhas. Desde a puberdade as crianças podem se tornar pais, mas não obrigatoriamente. Algumas jamais serão pais. Com o tempo tornam-se pessoas grandes, mas apenas algumas se tornam adultas. Outras simplesmente tornam-se velhas pessoas grandes. Pessoas velhas podem ter filhos pequenos e adultos.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Autocrítica I

"Preciso de um amigo como você?"

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Too late

Mundo visível e aromatizado

Daquelas pessoas que traduzem gestos e palavras como se fosse a alma intransferível e imutável de um ser.

Das mentiras passageiras
Daquelas pessoas que vivem a verdade plena e sem culpa de existir, a verdade do ponto de vista único e auto-suficiênte, das saídas sempre existentes, do egoísmo inocente e imortal.

Das dificuldades
Dos presos e livres, não dos normais.

Da lua
Eu e a-quem-interessar-possa...

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Ela não viu a vida


Queria ser mãe, mas ficou pra titia;
Queria ter cães, mas Ela tinha alergia.
Fez pra direito e advogada se tornou, conheceu uma garota que logo namorada ficou.
Viajou! Com um ano retornou.
Entre outros...
A namorada engravidou.
Ela era, mas não sabia, amor não via, perdida, Ela se matou;
Envelheceu mesmo achando que nunca nasceu.

(Materializado em 2002)

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Remediar


Não é interessante ficar pensando nos males do futuro, mesmo levando em consideração o fato de que não há como viver um presente, pois se ele existe é menor que qualquer estímulo físico, talvez deva-se ao menor espaço de tempo possível, algo ininterrupto, constante e sem controle.
Os males virão se pré-vistos ou não.

Rancor para Certas Coisas


Certas Coisas não esquecemos, mesmo que façamos esforço para tal.
Certas Coisas fazem com que emploremos pelo sono, pelo fim.
Certas Coisas pedimos ao tempo para que não tivesse acontecido, claro, somos ignorados.
A única forma de defesa para as Certas Coisas é o rancor: causa enjôo, cansaço, ódio, esses servem como um empurrão para que mudemos do sentir.
Mesmo que voltemos para novas Certas Coisas.

Infanto

Seria a rotina tão cruel assim?
"Casamento: marido, três filhos, almoço e jantar"?
Fazer coisas que deveriam ser colossais parecerem foto 3x4?
Não, não precisa ser assim, enraizar-se é uma dádiva, mais que qualquer texto ou regra, é descordar da imposição e deixar claro que não liga para as conseqüências; pelo menos até cortarem o video game.

Maturo

Quando me sorrir, vou estar pronto para retribuir; quando tiver de quem rir, vou estar pronto para retribuir.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Amigos Distantes











Amor por toda parte,
Fotografia revelada, explicita,
Parecendo arte,
Coisa que sinto é falta.

Em uma luz tênue,
nada anil,
Quase ardente
Frio fim de tarde.
Retrato da saudade,
Fiel sabor amargo,
Mas deliciosa ansiedade.
Algo precoce, desastrado.

Quando ao encontro de olhares,
Quanto ao conforto do corpo.
Ao silêncio vadio
De um quente arrepio.

Nos outros, olhar.
Com outros, olhares.
Palavras que pesam aos montes,
Como o abraço que te dei há instantes.


Dívidas


Mentiu para si mesmo,
Disse que está apaixonado,
Tomou uma dose de verdade
e cuspiu desapontado.

Cansado de suspirar,
E tampouco recordar.
Tomou uma dose de verdade,
Viu seu mundo desmoronar.

Andou pela cidade,
Sem mentiras pra lembrar,
Pediu à seu deus: piedade!
Mas deitou para roncar.

Distância

Como se fosse uma lança atravessando,
Despedaçando, questionando meu coração.
Como se sentir o vento no rosto,
Fosse como te abraçar e sentir o teu suspiro.

Como se a TV fosse meu cigarro, minha bebida,
E o sono minha ressaca.
Como se eu fosse você, e você, eu.
Como se não fosse redundante te chamar de "meu amor"
Depois de dizer "eu te amo".

Como se tudo fosse um passatempo,
Esperando a hora de te ver, abraçar,
Me transformar em você.
Como se o filme parasse antes do beijo acabar,
Como? Se eu não pudesse imaginar...

terça-feira, 28 de outubro de 2008

MAS TEM DE HAVER MAIS

Agora o verão se foi
E poderia nunca ter vindo.
No sol está quente.
Mas tem de haver mais.

Tudo aconteceu,
Tudo caiu em minhas mãos
Como uma folha de cinco pontas,
Mas tem de haver mais.

Nada de mau se perdeu,
Nada de bom foi em vão,
Uma luz clara ilumina tudo,
Mas tem de haver mais.


A vida me recolheu
À segurança de suas asas,
Minha sorte nunca falhou,
Mas tem de haver mais.

Nem uma folha queimada,
Nem um graveto partido,
Claro como um vidro é o dia,
Mas tem de haver mais

Arseni Tarkovski

TALES.SANTANA@GMAIL.COM